Jorge Amado livros

Por que ler os livros de Jorge Amado?

(Esse texto pode conter detalhes sobre a trama dos livros de Jorge Amado citados). 

Jorge Amado é um daqueles autores sempre citados em listas de leituras obrigatórias na escola e nos vestibulares.

Por outro lado, também aparece em tentativas de censuras. Seus livros não são exatamente próprios para crianças, mas deveriam ser leitura obrigatória para adultos.

Jorge Amado chama a atenção para os miseráveis, assim como Victor Hugo e enche suas páginas de realismo mágico, assim como Gabriel García Marquez. Retrata a vida dos vagabundos, dos pobres, dos que não podem ou não querem trabalhar e dos bandidos.

Em Dona Flor e Seus Dois Maridos temos um personagem vagabundo que volta dos mortos por magia do candomblé. O realismo está presente o tempo todo – seus personagens parecem pessoas que de fato existiram (e existem).

Em A morte e a morte de Quincas Berro D’água, publicado em 1959, o autor parece estar se preparando para criar um dos maridos de Dona Flor – de modo similar, um vagabundo cuja história é contada após a sua morte.

As melhores obras de Jorge Amado:

Gabriela, Cravo e Canela (Jorge Amado):

Gabriela, Cravo e Canela é um livro de Jorge Amado publicado em 1958. A história de Gabriela acontece em Ilhéus, na Bahia. 

Gabriela, Cravo e Canela foi adaptado duas vezes para a televisão no formato de novelas da Globo. Na primeira delas Gabriela foi interpretada por Sônia Braga e na segunda, por Juliana Paes. Não tem como pensar em Gabriela e não lembrar da trilha sonora da novela.

O livro é um romance histórico, uma crítica social (várias) e um excelente entretenimento. Uma leitura deliciosa.

Gabriela, Cravo e Canela deveria ser leitura obrigatória para todos os brasileiros. 

Gabriela deu nome à famosa e típica cachaça de Paraty (RJ), com sabor de cravo e canela, além do drink Jorge Amado que leva a cachaça Gabriela e maracujá.

O enredo de Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado

O contexto histórico vivido por Gabriela é o ciclo do cacau. Nessa época da história os donos das fazendas de cacau enriqueceram às custas da produção da fruta para exportação para produção de chocolate no exterior. Por falta de conhecimento técnico e industrialização o Brasil ainda não conseguia produzir o chocolate, mas apenas o cacau. 

O Porto de Ilhéus, de onde saía o cacau para exportação, no entanto, tem um problema: é estreito demais e pouco seguro, de modo que a mercadoria precisa ser escoada para a capital da Bahia, reduzindo o lucro para a cidade de Ilhéus. 

Mundinho Falcão chega a Ilhéus para resolver esse problema. Mas a solução para esse problema pode não ser interessante para os fazendeiros.

A partir disso desenvolve-se uma rivalidade política. Nesse contexto Gabriela chega em Ilhéus buscando melhores condições de vida e fugindo da seca do sertão. Gabriela ganha notoriedade como a melhor cozinheira de Ilhéus e começa a trabalhar para Nacib.

Gabriela, Cravo e Canela - livro de Jorge Amado
Edição em capa dura de Gabriela, Cravo e Canela pela Companhia das Letras
Gabriela, Cravo e Canela - livro de Jorge Amado
Edição econômica de Gabriela, Cravo e Canela – também belíssima (e mais em conta); capa flexível.

Dona Flor e Seus Dois Maridos – Jorge Amado (pode conter revelações sobre o enredo)

Jorge Amado demonstra neste romance o quanto é revolucionário, à frente do seu tempo e o quanto a Bahia é um lugar único no mundo.

Dona Flor é uma jovem que aprende a cozinhar e se torna dona de sua própria escola de culinária “Sabor e Arte” (saborear-te?). No mesmo período de sua vida conhece Vadinho (vadio?), um traste. Casa-se com ele e logo na primeira página do livro um acontecimento fatídico sobre ele toma espaço. E a partir daí se desenrola a história de Dona Flor, contando o que aconteceu para que ela chegasse naquele momento de vida e o que aconteceria a partir daí.

Há quem o critique e há quem fale mal de Jorge Amado, mas não é possível negar que sua escrita é algo único no mundo. É uma imersão onírica na Bahia e no cotidiano de seus personagens, que não parecem personagens, mas pessoas reais que existem. Não há nada de raso em nenhum de seus personagens e em nenhuma de suas histórias.

O romance Dona Flor e Seus Dois Maridos fala muito sobre os relacionamentos entre homens e mulheres, sobre como o machismo participa ativamente dessas relações, deteriorando-as de diferentes formas. Fala muito sobre como há diferentes tipos de homens: os que não prestam e os que até seriam pessoas bem intencionadas, mas que sofreram influências da cultura machista como ela é.

A Bahia é um lugar único no mundo e Jorge Amado te coloca dentro desse mundo particular de um jeito que não acredito que seja justo passar por essa existência sem ter lido Jorge Amado, sem ter lido Dona Flor e Seus Dois Maridos (e Gabriela, Cravo e Canela).

Dona Flor e Seus Dois Maridos - livro de Jorge Amado
Dona Flor e Seus Dois Maridos - livro de Jorge Amado

Capitães da Areia – Jorge Amado

Capitães da Areia faz parte de um outro momento da literatura de Jorge Amado. Publicado em 1937, cerca de 30 anos antes dos outros romances citados acima, narra a história de um grupo de meninos de rua. Abandonados à própria sorte e cometendo violências de todos os tipos, assim se desenrola um romance que é um retrato nu e cru de uma realidade dolorosa e específica, conhecida por nós que vivemos no Brasil. Jorge Amado olha e fala sobre uma realidade que muitos tentam apagar e esquecer. Um clássico polêmico que deveria ser lido por todos.

Capitães da Areia - livro de Jorge Amado
Edição de Bolso da Companhia das Letras

A Morte e a Morte de Quincas Berro D’água

Esse livro é uma história curta sobre a morte do personagem principal, Quincas Berro D’Água. Ele teve dois tipos de vida, então teria tido também duas mortes? Não é o meu preferido do autor, por isso recomendo que se leia os outros livros dele antes (os que citei acima).

“Saí da leitura dessa extraordinária novela […] com a mesma sensação que tive, e que nunca mais se repetiu, ao ler os grandes romances e novelas dos mestres russos do século XIX”, declarou Vinicius de Moraes. 

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