Capa do livro bom dia, inverno de tamara klink

Comprar livros prejudica o meio ambiente?

Recentemente uma autora gerou uma grande polêmica na internet ao sugerir aos leitores que não comprassem seu livro, mas que aqueles que já o tinham o doassem, o emprestassem, o fizessem circular. A intenção é boa: evitar o consumismo exagerado e promover a leitura sem a necessidade de produzir um novo exemplar. A luta contrao consumismo é extremamente válida e necessária. Porém, quando falamos da compra de livros, será que não comprar um livro é a melhor forma de fazer a diferença no meio ambiente?

Quem é a autora que sugeriu que não comprassem seu livro?

A autora de 29 anos é a velejadora Tamara Klink, filha de Amyr Klink, também velejador. Ela é conhecida por ter sido a primeira mulher a fazer a invernar sozinha no Ártico além de ser a 1ª latino-americana a cruzar a sozinha a Passagem Noroeste no Ártico.

Em maio de 2026 a autora publicou seu livro “Bom dia, inverno”, no qual conta as aventuras que viveu durante o isolamento. O livro já era um best-seller quando ela sugeriu que as pessoas parassem de comprar o seu livro e que quem já o tivesse o fizesse circular.

Nas palavras da autora: “não comprem mais esse livro ‘Bom dia, inverno’. Ele está no topo dos livros mais vendidos há pelo menos dois meses…”. O argumento que ela usou é o de que muita energia da natureza foi utilizada para que o livro pudesse existir e que, por isso, o ideal seria que os livros estivessem em bibliotecas públicas ou que circulasse por várias mãos em vez de permanecerem em uma biblioteca particular onde seriam lidos apenas uma vez.

Livro Bom dia, Inverno da velejadora e autora Tamara Klink

A ideia de fazer os livros circularem é excelente. Porém uma coisa não impede a outra: você pode comprar o livro para ler e fazê-lo circular depois. Me parece que a recomendação ideal não seria “não compre”, mas “compre e empreste ou doe a alguém”, que acaba sendo o que a autora disse após iniciar o vídeo com “não compre meu livro”. O estranhamento causado por uma autora que solicita que não comprem seu livro foi o suficiente para gerar toda a repercussão que houve. Emprestar ou doar o livro após ler faz sentido e é uma boa ideia. Mas para que um livro circule, ele precisa em algum momento ser comprado por alguém.

O vídeo tomou proporções enormes pela polêmica de um autor sugerir ao público que não compre o próprio livro. Foi uma boa isca e gerou um alvoroço na internet.

Muitos profissionais do setor editorial se envolveram nesse alvoroço: se as pessoaas não compram os livros, a produção de livros físicos não se justifica. Menos livros serão produzidos se as pessoas pararem de comprar livros.

As formas realmente eficazes de evitar o consumo dos recursos do planeta

Para produzir 1 quilo de carne é necessário o consumo de 15 MIL LITROS DE ÁGUA.

A redução do consumo de carne, portanto, é fundamental para a sustentabilidade e preservação dos recursos do planeta para manutenção da vida humana (e dos animais tal como conhecemos hoje).

Tamara Klink demonstra preocupação com a preservação dos recursos naturais. Foi vegetariana por muitos anos, mas em sua expedição no ártico praticou pescaria e se alimentou de peixes após ter calculado minuciosamente os alimentos de origem vegetal para levar consigo na viagem.

Eu te pergunto: a produçao e a compra de livros é o que realmente consome os recursos do planeta de forma excessiva?

Leitura recomendada associada ao tema do livro de Tamara Klink e à polêmica do consumo excessivo dos recursos naturais

Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer

Ideias para adiar o fim do mundo – Ailton Krenak

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