Sua atenção está fragmentada.
Você busca no Google por algum assunto, alguma dúvida ou pergunta e abre um vídeo no YouTube.
Ao abrir o aplicativo do Youtube ele te indica várias opções de vídeos.
Então, você não lembra mais o que estava buscando.
Começa a se interessar por algum daqueles vídeos sugeridos. Você tem vários interesses e o algoritmo sabe disso.
Você decide então buscar um texto escrito em um blog (como esse aqui), pois assim seria forçado a se concentrar.
Logo decide que precisa checar as notificações do WhatsApp, pois já tem alguns minutos desde que mandou e recebeu algumas mensagens de algumas pessoas e de alguns grupos que participa.
Decide ligar o computador.
Se vê com 16 abas abertas no navegador da internet.
Cada uma delas serve para resolver um assunto diferente que exige dedicação.
Você sente que não consegue dar conta.
Quando foi a última vez que se dedicou a uma tarefa por 40 minutos?
Você estava tentando planejar uma viagem, estudar por 30 minutos, coletar dados para o mestrado ou doutorado, ler um livro sem interrupções. Em todas essas atividades parece que havia dificuldade em manter o foco.
Não conseguir se concentrar não é um problema fácil de resolver
No livro “Foco Roubado” o autor Johann Hari explora a temática com propostas de intervenção sem, já te adianto, dar o assunto por encerrado.
Resolver essa questão não é fácil e não sabemos ainda se é possível.
Apesar de não chegar a conclusões fáceis para o problema, ele mostra o quão grande o problema é.
Esse problema é tão difícil de lidar que o autor implementou algumas medidas talvez até radicais demais para driblá-las, porém seu sucesso não foi completo.
E posso dizer que eu, tendo lido esse livro, também não consegui resolver esse problema.
É um problema grande demais. Estar consciente sobre ele é apenas o primeiro passo.
A medicalização de um problema social
Diagnósticos surgem aos montes.
Algumas pessoas realmente têm TDAH.
Mas será que todos que acreditam não conseguir se concentrar (em meio a vários aplicativos e tempo de tela elevado) têm um diagnóstico médico/psiquiátrico/psicológico?
Será que tantas pessoas precisam de medicamentos para se concentrar?
Será que há outras intervenções que podemos fazer?
Um livro atual que propõe várias medidas contra a fragmentação do nosso foco
Acredito que Foco Roubado seja uma leitura obrigatória para nós que vivemos numa era de redes sociais, internet ininterrupta e telas, muitas telas.
Esse livro foi publicado pela primeira vez em 2022 e, por isso, é extremamente atual.
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